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Poderes voando a torto e a direito o/
 
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 Dia 20/02/00 - Katherine

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Yy
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MensagemAssunto: Dia 20/02/00 - Katherine   Sex Nov 14, 2008 7:03 pm

Katherine:

Já são altas horas da madrugada, e você continua concentrada no computador, programando. O seu jeito de programar pode ser uma maravilha pra evitar tendinites e LER, mas ficar com as mãos livres pra comer durante a madrugada não faz muito bem. Por sorte hoje é o dia de re-calibrar alguns componentes, e a xícara permanece no mesmo local por algumas horas.

Tudo pronto, é hora de parar e dormir um pouco para a bateria de testes. Amanhã você poderá pegar um carro e levar tudo a uns dos galpões para testar. Virtualmente tudo sairá bem, mas largar simuladores para a prática tem sido uma experiência muito mais gratificante nos últimos meses.

Uma pomba chega e bica a janela, puxando a sua atenção por instinto.
Normalmente a casa cair e pegar fogo não iria te distrair (e anos atrás, eventos práticos em menor proporção confirmaram esta hipótese...), mas pombos tem sido uma esperança nos últimos tempos. Você pega a xícara sobre a mesa e vai até ela, bebericando do líquido.

Pombos são um truque bem sujo. Sem nada para rastrear, invisíveis a todo tipo de radar, e sem nenhum truque que você conheça. Pelas últimas perguntas aparentemente desinteressadas ao Keith e pesquisas, esses bixos são criados a vida toda em um lugar e conseguem voltar pra ele sendo soltas próximo o bastante. Mas não seriam capazes de retornar a quem mandou a mensagem. Enfim, um truque sujo.

Você desenrola o pergaminho fino amarrado na perna do bicho, usando suas luvas. Possivelmente eles virão somente com digitais da sua mãe como os outros, mas você não se perdoaria de não tentar localizar algo a mais. Você entra no quarto lendo, enquanto a pomba bebe um pouco de água empoçada em uma falha na janela...



"Katherine,

Espero que esta carta a encontre gozando de boa saúde. Temos mais um passo para a trilha que está andando. O maior passo de todos, em qualquer sentido que queira interpretar.

Este é o um dos últimos crédito que temos, então iremos juntá-lo ao resto e pedir um grande favor, infelizmente dividido em mais que um passo. O relatório estará localizado no endereço abaixo, empacotado debaixo da ponte. Naturalmente ele está lá a mais tempo do que gostariamos, e não iremos tomar nenhuma medida para vigiá-la quanto a pegá-lo ou não, sabemos que seria infrutífero.

Abaixo, a pausa dos patrocinadores. Tenha uma bela caminhada ao parque.


Katherine, por favor, desista disso. Contacte o seu pai e conte o que aconteceu, pare de confiar nessas pessoas. Eu te amo e não quero que a sua capacidade seja usada nisso, por favor, pare enquanto é tempo."


A letra é inconfundível, e dispensa qualquer exame de digitais. Uma lágrima mancha o papel, sendo limpada prontamente. Mesmo apertada no fiapo de papel reservado para sua escrita, a letra continua sendo a mais bela que você já viu, firme e delicada, quase como se deslizando para fora do papel de tão viva. Outra lágrima borra parte do texto...

É hora de largar tudo aqui e voltar para o que tem dirigido todo o último ano deste martírio... Mas as pistas logo farão sentido. Existe a possibilidade de não fazerem, mas você simplesmente não pode acreditar nela...
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Katherine

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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Dom Dez 14, 2008 6:53 pm

São Petersburgo, Rússia. 5 horas da manhã.

Tic.Tac. Tic.

Os olhos cinzentos se abrem segundos antes do horário programado no despertador. Um leve olhar distraído é o suficiente para que o aparelho não toque.

A jovem, já desperta, faz um coque bagunçado nos cabelos repicados enquanto atravessa descalça o enorme aposento em direção à suíte.

O quarto imponente, com cerca de 200m², possui uma decoração antiga, com tapeçaria, cortinas e móveis sinalizando a nobreza daqueles que um dia ocuparam e ainda ocupam aquele aposento. No centro do quarto, uma enorme cama de dosséis completa a decoração imperial típica da nobreza russa.

O restante do quarto deixaria qualquer decorador da família real de cabelo em pé. No canto de uma das paredes, uma grande mesa de titânio, coberta de equipamentos eletrônicos, fios e máquinas desmontadas. Ao lado, um armário embutido com grandes portas de metal e uma mesa de estudos próxima à janela de vidro, com muitos papéis espalhados e um grande monitor sem teclado, mouse ou CPU.

O quarto aparenta ser impessoal, salvo pelo porta-retrato ao lado da cama. A foto mostra uma menininha magricela e desajeitada de jaleco segurando um troféu em frente a uma máquina, no meio de um homem e uma mulher. A mulher, de cabelos escuros cacheados e olhos muito vivos, compartilha o enorme sorriso da filha, enquanto o homem loiro de aparência orgulhosa e traços angulosos pousa uma das mãos no ombro da menina, com os olhos frios pousados discretamente entre as duas.

_________________________________________________________________

As botas de neve fazem um barulho ritmado no piso enquanto a jovem caminha em direção a uma das salas de jantar da mansão. Na porta da sala, encontra uma senhora bem arrumada com os cabelos puxados para trás, numa aparência severa e profissional.

- Bom dia, Sonya. – a jovem cumprimenta.

- Bom dia, senhorita. Seu café já está na mesa.

- Obrigada. – Katherine se senta em uma das extremidades da enorme mesa de mogno e põe-se a bebericar o líquido fumegante. – Meu pai...?

- Já foi para a empresa, não disse a que horas volta. – a mulher responde, num tom reprovador.

A jovem enche novamente a xícara e franze a testa levemente, compartilhando do sentimento da governanta.

- Vou sair por algumas horas. Caso ele ligue, diga que já terminei as planilhas desse mês.

- Sim, senhorita. Vou pedir que o Ivan apronte o carro.

- Não precisa, eu vou sozinha.

- Mas senhorita...

A jovem já havia saído, levando a xícara consigo.

- Ah, dona Iulya, o que eu vou fazer com esses dois? – A governanta murmura enquanto tira a mesa.


Última edição por Katherine em Qua Dez 17, 2008 3:40 am, editado 1 vez(es)
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Yy
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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Seg Dez 15, 2008 1:37 pm

Poucos minutos depois de deixar a presença da governanta, você está conduzindo o carro pelas ruas frias, em direção à praça quase deserta por conta do clima severo.

Acabando de estacionar, você ajeita o chapéu e os óculos escuros, conferindo no espelho se eles podem despistar um pouco a sua aparência, além de afungentar o frio. O mesmo procedimento de toda entrega de pacotes. Alguns minutos a mais no carro, e você tem certeza que nenhum dos veículos pertence ao Império Romanov. Você caminha até a praça, acionando a trava elétrica do veículo do jeito convencional.

Pela descrição do mapinha no verso da última mensagem, ele está próxima a uma pequena ponte, onde passa um filete de água por baixo, em uma área claramente reservada para que as crianças brinquem. Equilibrando-se no vão, você olha por baixo da ponte, achando um pacote sujo. Um pouco de força e ele cede, indo parar nas suas mãos. Como uma bailarina, você endireita o corpo com o peso extra nas mãos, e coloca o pacote pequeno dentro da bolsa.

Dentro de uma lanchonete e a frente de uma máquina de café expresso, você folheia o documento como quem não quer nada, enquanto acaba de digitar e pagar, a máquina ativando enquanto despeja o líquido fumegante.

Citação :
... o submarino foi perdido por décadas. Recentemente, relatos de uma criatura que se assemelha à intenção original do projeto chegaram ao gabinete, e fomos contactados para resolver o assunto... seguem os mapas de localidades e possíveis cidades, junto a...

Citação :
... e será sua acompanhante durante a estadia na cidade, contactada uma semana antes da sua chegada. Mesmo não parecendo, fontes seguras nos indicam que ela pode ser de importância vital na missão, e possui meios e contatos suficentes para catalizar a sua ação lá...

Citação :
... seguem em anexo as plantas de montagem do dispositivo, objetivos propostos para que ele cumpra e materiais recomendados. Sinta-se livre para modificar o que quizer no projeto original. Confiamos na sua competência e nos seus recursos para nós trazer o melhor que o dinheiro puder pagar...

Citação :
... e pela sequência complicada de ativação, desta vez você deverá atuar em campo, sendo a única pessoa que deve saber como operar o dispositivo...

Mesmo surreal, a missão é clara e parece realmente ser a última. No fim, a nota com a mesma letra que te dá repulsa.

Citação :
E esse é o último peso que jogaremos nas suas costas, Katherine. Obviamente, qualquer contato com o nosso contratante original está fora de questão, e ele possivelmente desaprovaria nossos métodos de cumprir contratos. Uma equipe estará com a sua mãe na cidade, e tão logo você cumpra a missão, a terá de volta.

Desnecessário dizer, a equipe será composta por terceiros sem nenhum conhecimento de um ser humano vivo dentro do container, então cuide-se para não ferir gente inocente. E podemos garantir que ela chegará confortável e sem um arranhão até você.

Um bom trabalho

Você acaba de passar a última página, prometendo a si mesma não mais manchar papéis com lágrimas. Resta um mês de trabalho para projetar uma das máquinas mais difíceis que te apresentaram, com um caráter experimental e totalmente novo, enquanto acaba os últimos ajustes no seu projeto pessoal. Mesmo para uma cientista do seu calibre, é um tanto desafiador, então tempo acabou de se tornar um artigo de luxo, assim como o sono.

A máquina acaba de encher o copo de café, que você pega e beberica, após guardar a pasta de volta na bolsa. Você pensa na infinidade de componentes, ligações e pontos de solda que vão ter que ser substituidos no projeto enquanto anda até o carro.

3 minutos depois, o Porsche prata deixa a praça, dirigindo-se para a mansão na área nobre da cidade.

Após 10 minutos, telefones, câmeras e todo tipo de utensílio de comunicação e captura de imagem do bairro voltam a funcionar...
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Yy
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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Seg Dez 15, 2008 1:49 pm

Chegando em casa, é hora de organizar sua agenda de trabalho e preparativos para a viagem. Talvez você consiga concluir tudo uma semana antes se organizando direito.
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Katherine

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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Ter Dez 16, 2008 12:39 am

22:48

Sentada em posição de lótus na poltrona, Katherine ergue a xícara lentamente em direção aos lábios, sem desgrudar os olhos do monitor.
Depois de um dia inteiro de programação, os milhares de dados e cálculos que passavam rapidamente pela tela começam a dar lugar ao desenho exato do dispositivo proposto pela carta. O rosto pálido da jovem cientista já mostra certo ar de cansaço, mas sua concentração não se abala.

Há três anos, quando recebera a primeira carta, Katherine percebeu que estava num perigoso jogo de xadrez, onde todas as movimentações seriam calculadas com toda a precisão possível e todo o tempo necessário.

Quando criança, seu pai lhe ensinara que a perfeição no xadrez somente é possível pelos erros do oponente. “Quão acuradamente são estes erros explorados? Quão profundos são os planos para levar vantagem dos erros? Quão impecável é a execução destes planos? Quando temos a resposta para estas questões, sabemos se uma partida é ou não é perfeita. Em tais partidas, tem-se a sensação - tão irreal quanto irresistível - de que o perdedor não fez um erro. Ele simplesmente tinha que perder, não importa que lances tivesse feito.”

E logo no início da partida, Katherine sabia que apesar da vulnerabilidade do seu Rei, todas as outras peças andavam a seu favor, porque o seu oponente não fora capaz de medir a extensão da inteligência e dos poderes da cientista russa.

O rosto delicado da jovem adquire uma expressão mais obstinada, enquanto os olhos se estreitam, aumentando a velocidade com que as imagens passam e se aprimoram no computador.

Claro que o trabalho ordenado era feito com a perfeição absoluta que se esperava de um grande intelecto. Mas Kath aprendera a fazer o necessário para que pensassem que ela fazia o excepcional. Durante os últimos três anos seu oponente jamais fora capaz de descobrir que a mente e os poderes de Katherine poderiam construir um equipamento muito mais funcional, perigoso e poderoso do que qualquer projeto que lhe enviassem.

Apesar da imprecisão das pistas que recebia como recompensa, Katherine sabia que por diversas vezes estivera muito, muito perto de encontrar Iulya.
Se algum dia tivera alguma dúvida ou insegurança sobre si mesma, os últimos anos de constante investigação e trabalho lhe provaram que sua mente era forte o suficiente para controlar os seus poderes e aumentá-los gradualmente. Parecia estranho que algum dia sentira medo de ser dominada por eles ou machucar pessoas inocentes.

Não tinha mais tempo para dúvidas. O momento se aproximava.
E quando a hora chegasse, a segurança da mãe era a mais absoluta prioridade.
Mas depois, mal podia esperar para saber quem ela machucaria por fazer isso com a sua família.
_______________________________________________________________

23:00

Seu trabalho é interrompido pelo barulho de um carro aproximando-se da entrada da mansão. Katherine ergue os olhos do computador para a janela e observa o Chrysler preto estacionar. Um homem alto e loiro sai do carro, subindo as escadas mal-iluminadas em direção à porta sem escorregar na neve que cobre os degraus.

Katherine salva o trabalho após uma rápida conferida com o olhar. O rosto da cientista aparenta serenidade, mas a ansiedade parece travar os movimentos normalmente graciosos da jovem.

Ela percorre descalça os corredores da mansão e encara os retratos de alguns antepassados, preparando-se para encontrar, pessoalmente, os olhos frios e cinzentos tão característicos da família Romanov.

Quando se depara com a porta fechada do escritório, a jovem respira fundo antes de erguer o punho e dar uma batida decidida.

O preparativo mais difícil para a viagem estava pra começar.
Depois disso, o resto seria moleza.
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Yy
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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Qua Dez 17, 2008 1:50 pm

Você bate na porta de madeira escura, em uma posição ereta e decidida, um pouco tensa até. Meio tarde demais, você se nota um pouco desarrumada e confere a aparência pela visão da câmera no corredor, mas vai ter que servir. Segundos depois, a luz do mecanismo de trava por senha ao lado da porta muda de amarela para verde. Não que a luz amarela impeça a entrada de alguém - sobretudo você - mas entrar com ela acesa com certeza traria muitos inconvenientes.

Abrindo a porta de vagar, você ganha visão para o magnífico escritório. Com quadros gigantes tomando o ambiente, prateleiras com os mais diversos livros e todo tipo de equipamento eletrônico exposto, de forma ordenada, com uma entrada discreta para o laboratório, onde os componentes devem formar a mesma bagunça que existe no seu quarto. Entrando, você nota pela porta da entrada aberta a cama desarrumada dentro do laboratório, por onde seu pai tem dormido com muito mais frequência nos últimos anos.

Com um sinal eletrônico a porta se fecha, enquanto Aleksander acaba de cortar uma peça em 3d no painel e coloca o computador para renderizá-la. Ele levanta os olhos cinzentos e familiares para você, e fala em um tom frio, como se estivesse tratando de negócios com um subordinado.

- Katherine. A que eu devo o prazer?

Você não nota acidez ou sarcasmo na última palavra. Pelos últimos tempos em que conversaram e vezes em que almoçaram juntos [ 3, no último ano, se você se lembra bem ], você sabe o quanto seu pai aprecia ter uma conversa com um intelecto a altura, e ganhar mais controle sobre os seus experimentos aos poucos foi varrendo o ar de incompetência que ele parecia farejar em você e a esmagava sempre que tentava uma conversa. Com o distânciamento dele em relação aos mundo nesses últimos anos, aquele jeito frio é sem dúvida a coisa mais emotiva que algum ser vivente pode arrancar de Aleksander, e nuances como ele ter largado um projeto sem demora e te encarar sem fazer com que o seu corpo pareça chumbo te confortam.

Ele está parado, esperando a resposta impecável de uma garota impecável, enquanto enche duas xícaras de café negro como o inferno e doce como um beijo roubado.*

Spoiler:
 


Última edição por Yy em Qui Dez 18, 2008 12:38 pm, editado 1 vez(es)
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Katherine

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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Qui Dez 18, 2008 1:56 am

Aleksander Nikolai Michaylovich Duchovny Von Romanov é conhecido no mundo dos empreendimentos tecnológicos como um homem implacável, com um talento nato para os negócios e dotado de uma mente infalível que parece adivinhar os pensamentos e pretensões de seus adversários.

Para Kath, Aleksander é o espelho de tudo que ela é e deseja ser.

Quando Katherine nasceu, Aleksander prometera a si mesmo que jamais reproduziria a influência nefasta da herança dos Romanov sobre a criança inocente. Sua filha não seria mais uma na fila de herdeiros perturbados que perderam o controle frente ao peso do próprio sobrenome. Ela teria orgulho da sua família, mas enxergaria além da proteção das paredes da mansão Romanov.

Mais do que proteger Katherine, Aleksander queria garantir que ela fosse forte o suficiente para não perecer diante dos desafios que teria de enfrentar sozinha. Ela teria que amadurecer mais cedo que os jovens da sua idade, pois a vida lhe cobraria não só pelo sobrenome nobre, mas pela sua inteligência e pelos poderes que carregava.

Foram muitas as vezes que Katherine fora dominada pelas suas inseguranças e pelo medo de perder o controle, de falhar. Mas a presença do pai, por vezes dominadora e implacável, lhe trazia a vontade de alcançar todo o potencial que tinha dentro de si.

A relação entre pai e filha, aparentemente fria e distante para quem olhava de fora, era uma troca entre iguais.
E Katherine não poderia sentir-se mais orgulhosa de ser considerada uma igual aos olhos do pai.
__________________________________________________________________

- Pai. - ela cumprimenta suavemente, sem se ofender com a aparente frieza com que é recebida.

O cheiro de café preenche o ambiente do escritório como se a convidasse, uma sensação familiar e reconfortante tão irresistível nesses tempos de angústia. Mais relaxada pelo ambiente familiar, Katherine se aproxima e recebe a xícara oferecida pelo pai.

- Obrigada. - O silêncio entre os dois, sempre tido como um momento a ser compartilhado, era, nos últimos anos, uma antecipação tortuosa, como se a voz alegre de Iulya fosse preencher o ambiente a qualquer momento, ordenando que encerrassem o trabalho e fizessem algum programa de "família normal".

Mas eles sabiam que o silêncio não seria quebrado e a interrupção esperada não chegaria, a não ser que um deles resolvesse falar.

Para Kath, a presença de Aleksander trazia uma sensação ao mesmo tempo reconfortante e dolorosa. Reconfortante porque ele era a única pessoa que compartilhava da mesma forma que ela da ausência de Iulya. Dolorosa, porque o impacto dessa ausência sobre um homem tão frio e inabalável ainda conseguia chocá-la profundamente.

A imprensa falava de Aleksander como um homem frio e insensível, que não mostrara o mínimo sinal de abalo pelo desaparecimento da esposa, pelo contrário: ele parecia cada vez mais feroz e disposto nos negócios, como uma máquina.

Mas Kath sabia reconhecer com clareza os sinais de abatimento no rosto do pai. Aleksander sempre fora um homem introvertido, mas não solitário ou incompleto. Entretanto, desde o desaparecimento da esposa, aqueles olhos pareciam cada dia mais vazios e solitários. A barba crescida era um sinal inusitado de descuido e a expressão cansada muitas vezes era confundida com o trabalho, mas Kath enxergava a dor do pai através do terno impecável e da aparência de normalidade. Talvez porque ela se sentisse da mesma forma.

Katherine segura a xícara entre as duas mãos e observa a tarefa executada pelo computador, que como todo equipamento eletrônico do laboratório, fora construído em cojunto pelas mentes hábeis dos dois cientistas, pai e filha. O computador converte uma série de símbolos gráficos num arquivo visual, "traduzindo" o arquivo de uma linguagem para outra.
Discretamente, a jovem aumenta ligeiramente a velocidade do processo, observando o programa calcular a perspectiva do plano, as sombras e a luz do objeto à partir do planejamento hábil de Aleksander.

- Trouxe as planilhas desse mês. - Ela tira do bolso um pen drive pequeno e se senta na poltrona à frente da mesa do escritório. Há alguns anos, Katherine executa todo o trabalho de programação e modelagem de planilhas eletrônicas da empresa, e normalmente envia os dados diretamente para o computador do pai.

A entrega pessoal do objeto era um claro pretexto para introduzir outro assunto...Iulya costumava fazer a mesma coisa quando precisava falar algo que iria contrariá-lo.

[Fotos Aleksander: http://bestof.provocateuse.com/images/photos/daniel_craig_97.jpg
http://images.askmen.com/photos/daniel-craig/20190.jpg ]


Última edição por Katherine em Sex Dez 19, 2008 12:35 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Qui Dez 18, 2008 6:58 pm

Ele baixa os olhos cinzentos em direção ao pendrive sobre a mesa, e depois dedica um olhar ao processo sendo feito no monitor de tela plana, de fabricação dos Romanov.

- Katherine, se você tem algo a dizer, sugiro que seja direta em vez de entregar documentos fora dos padrões e colocar minha manhã de trabalho a perder sobrecarregando a o processador do meu computador. - Ele diz, os olhos desviando-se do monitor para a placa do computador, visível através do gabinete com lateral de polímero transparente e com indicador de aquecimento acima do recomendado.

Ele espera a temperatura normalizar e confere se algum dano foi causado, por alto. Por sorte, parece que o computador aguentou bem seus segundos de tuning.

Aleksander se permite um suspiro, massageando a própria testa enquanto fecha os olhos e retira os óculos com filtro, sem grau mas adequados para usar o computador por horas.

- Eu percebi que você tem passado horas a mais do que o necessário nos trabalhos de planilha, e creio que isso tem uma ligação íntima com esse encontro e todo esse procedimento. - Ele toma um longo gole do café, sorvendo o líquido enquanto te dá tempo extra pra pensar em uma resposta pra pergunta inevitável - O que você deseja conversar comigo?
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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Qui Dez 18, 2008 10:05 pm

- Eu estava prestando atenção no controle de temperatura do processador, mas...- Mas o quê? Se distraiu, observando o quanto o pai estava abatido, cansado? Katherine interrompe o protesto sem terminar a frase, baixando os olhos para a xícara de café que segura entre as mãos.

Depois de um leve suspiro, ela afasta uma mecha de cabelo dos olhos e continua, sabendo que não adiantaria mentir para Aleksander ou adiar o conflito. Ele não ficaria feliz com uma súbita viagem da filha ao continente americano e ela não podia fazer nada para amenizar a situação.

- Tenho trabalhado num projeto pessoal e vim conversar com você porque preciso viajar para os Estados Unidos no final do mês.
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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Dom Dez 21, 2008 10:44 am

Ele observa o medidor de temperatura voltar ao normal. A máquina já aprimorada para 100% de rendimento não pode arcar com qualquer tipo de boost, mesmo os seus, e correu-se sim algum risco ai. Ao menos na visão do seu pai.

- Estados Unidos? - Ele pergunta, a sombrancelha levantando de leve e a xícara sendo deixada de lado - O que você pode fazer por lá que não poderia cuidar aqui?

Ele se volta para o segundo computador sem ouvir a sua resposta, passando a imagem dele para o monitor principal. Segundos depois, folhas saltam da impressora do outro lado do escritório.

- Você é uma cientista afinal, e deve ter liberdade para agir. - Ele diz, visivelmente parecendo engolir parte do seu orgulho, contrariado. - Mas vou querer que assine alguns termos de compromisso.

Ele atravessa a sala e pega as folhas, colocando-as à sua frente. Nos termos, você pode ler entre muitas pautas diversas restrições e cortes. Basicamente, é uma forma burocrática e complicada de dizer que em nenhuma hipótese é permitido que qualquer tecnologia dos Romanov seja exposta, qualquer idéia vendida e qualquer projeto revelado. Seja lá o que você for fazer no exterior, é expressamente proibido permitir que terceiros tenham qualquer contato com algum projeto seu, com a ressalva de cientistas que possam contribuir com protótipos em andamento, numa base muito específica de informação/utilidade.

Você encara o homem preparando o carimbo e a caneta. Não sente a batalha mais difícil vencida, somente adiada. Se alguma notícia de uso de tecnologia desenvolvida por você chegar aos ouvidos dele durante a viagem, ai sim você poderá se preparar para encarar o inferno, com toda fúria que seu pai nunca exibe mas sempre foi capaz de mostrar.

- E então? Você aceita os termos? - O olhar, mesmo com o aparente cansaço e abatimento que você deduz nos nuances, é firme e parece penetrar seus olhos, te deixando incapaz de desviar.
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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Qua Dez 24, 2008 6:37 pm

Ao receber as folhas, ela o observa por um momento, antes de baixar os olhos para o contrato. A leitura é rápida. Segundos depois, Katherine ergue os olhos para Aleksander e pega a caneta com um olhar indecifrável antes de assinar no local indicado.

- Estou na fase final do projeto e só posso concluí-lo nos EUA, mas lhe asseguro que minha viagem não possui relação com os negócios ou a tecnologia desenvolvida pelas indústrias Romanov.

Ela responde, sabendo que sua resposta seria considerada evasiva, mas uma mentira seria detectada imediatamente pelos olhos atentos de Aleksander.

- Espero retornar em breve.

A jovem respira fundo e se levanta da cadeira, escondendo a frustração pelo rumo hostil que a conversa tomou, apesar de já ter antecipado a dificuldade do confronto. Afinal, seria provavelmente a última conversa que teriam antes que ela se ocupasse por completo com os preparativos para a viagem e ele se afundasse novamente no trabalho.
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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Qui Dez 25, 2008 7:23 pm

Você deixa a sala, indo para o seu quarto novamente agendar a compra das passagens no vôo marcado pela carta de missão. O incidente realmente te chateou, mas logo o sistema intricado proposto e todo tipo de melhoria necessária ocupam sua mente, varrendo os problemas e preocupações para quando o funcionamento for 100%.

As semanas voam, enquanto sua rotina é só comer, programar, dormir, soldar, higiene pessoal, calibração, e qualquer misto entre estes itens que as suas habilidades tornem possível.

Ao fim de algumas semanas, você está com os componentes prontos e um resultado bastante satisfatório para o aparelho. Nos dias restantes, o seu Ás na manga recebe novos cuidados e atualizações, e logo você está pronta para a viagem.

Na manhã antes de pegar o vôo, para a sua enorme surpresa o seu pai aparece para o almoço junto a você. Sem discussões de negócios, o silêncio toma a mesa durante todo o tempo, menos sufocante do que deveria ser. Ele termina antes de você e bebe o café devagar, chegando a repetir a xícara. Logo vocês se despedem como se você fosse a um encontro casual, e seu avião está partindo do aeroporto em Moscou.

As horas de vôo são tranquilas, e você dorme como não podia há muito, praticamente durante toda a viagem. Acordando minutos antes do processo de aterrissagem ser iniciado, tem tempo de dar retoques na aparência e escovar os dentes. Com a bolsa de viagem em mãos, você confere a foto da moça que deve te buscar, uma bela ruiva de traços cheios e um olhar que a primeira vista parece complexo.

Aterrissagem feita, é hora de começar a dar o último passo do seu martírio. Mesmo com pressa, parar por hoje e descansar conhecendo locais novos da cidade não parece uma má idéia. A última respirada antes do mergulho, talvez.

[Se quizer, pode fazer qualquer post isolado sobre o último mês e o tempo antes da viagem neste post. Próximos posts serão feitosAqui]
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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Qui Dez 25, 2008 11:21 pm

O último mês havia sido de trabalho intenso, sem pausas para o descanso. Dormia pouco, quando era inevitável, e a determinação para concluir o trabalho era mais do que um despertador. Além do trabalho no laboratório, a jovem cuida de detalhes pessoais, como sua conta no banco, a compra da passagem e o transporte cuidadoso do fruto de seu trabalho.

O último bilhete sobre o projeto também recebe uma atenção especial. Intrigada com algumas referências contidas no bilhete, Katherine resolve pesquisar aquelas que mais lhe chamaram a atenção.

Submarino...criatura, projeto? Apesar do trecho vago, sua mente de cientista reconhece imediatamente os sinais de um experimento possivelmente mórbido. Antes de recorrer aos métodos tradicionais de pesquisa, a cientista vasculha a própria mente atrás de algum conhecimento sobre um projeto similar.

Caso não seja bem sucedida, Katherine começa a pesquisar em fontes externas acerca do projeto, utilizando as localidades indicadas pelo bilhete como referência. Uma busca amadora na internet seria inútil para a maioria das pessoas, mas a facilidade de Katherine para "abrir as portas" de arquivos secretos pode tornar a pesquisa muito mais frutífera.
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Yy
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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Sex Dez 26, 2008 12:11 am

28/02/00:

Você se conecta à rede, vasculhando tudo que existe sobre submarinos... o tempo passa, a informação rodando sua cabeça...

A empregada tocando seu ombro e te assusta, quase te derrubando da cadeira... São 8 da manhã...

Você ficou mais de 10 horas conectada, e não achou nada relevante em relação a um submarino e criaturas...

Sua barriga ronca, censurando-a pela falta de cuidado com o próprio corpo...

Instintivamente você vai comer algo e dormir, ainda tem muito trabalho te esperando e perdas de tempo e energia assim são dispensáveis...
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Katherine

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MensagemAssunto: Re: Dia 20/02/00 - Katherine   Sex Dez 26, 2008 12:27 am

Normalmente, a falta de resultados na pesquisa apenas a irritaria e incitaria ainda mais a cientista a procurar incansavelmente em todas as fontes disponíveis, até que achasse o que estava procurando. Afinal, Katherine não estava acostumada a não ter respostas, mas no que dizia respeito ao projeto e ao paradeiro de Iulya, a jovem já estava começando a pensar que suas pesquisas teriam de ser in loco.

Apesar de frustrada com a falta de resultados, Katherine logo se deixa absorver pelo trabalho que precisa ser terminado antes da viagem...
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Dia 20/02/00 - Katherine
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